Pular para o conteúdo principal

Tudo Pode Dar Certo - Whatever Works

      Woody Allen é uma lenda. Ele criou todo um estilo de cinema: bem humorado, inteligente, um tanto neurótico e verborrágico. Foi um dos pioneiros em "quebrar a 4a. parede" e fazer o protagonista conversar com a câmera. 

      
    Ao longo de seus mais de 40 filmes, ele se tornou o personagem principal da maioria: o judeu novaiorquino, inseguro, inteligente, atrapalhado e cheio de manias. Há uns bons anos ele tem colocado outros atores para viver esse  mesmo protagonista. Já passaram John Cusack, Jason Biggs, Owen Wilson, mas o melhor é Larry David em "Tudo Pode Dar Certo". 
      No longa-metragem, Boris é um físico aposentado, inteligentíssimo, mau-humorado, ranzinza, falastrão, desesperançado e hipocondríaco que vive em Nova Iorque. Ele vive dando aulas de xadrez para crianças, as quais ele afronta e xinga sem a menor cerimônia, como faz com qualquer um. Um dia ele dá abrigo a uma linda jovem interiorana sem lugar para morar vivida pela ótima Evan Rachel Wood. Eles são o oposto um do outro, mas acabam dando certo.


      O filme é excelente e com cenas muito divertidas, como Boris cantando "Parabéns Pra Você" lavando as mãos para espantar os micróbios. Larry David está totalmente à vontade e engraçadíssimo!
      Segundo Boris, a vida é um caos que não se pode planejar. Tudo o que se planeja romanticamente para o futuro acaba sendo modificado ou destruído, se tornando Qualquer Coisa Que Funcione (Whatever Works). Logo, a mãe e depois o pai de Melody vão para a cidade encontrar a filha e acabam dando rumos diferentes a suas vidas. E a teoria de Boris acaba se comprovando mas de maneira otimista: mesmo com percalços, no final a vida funciona.
      Este é um dos melhores filmes de Allen nos últimos tempos, junto de "Meia-noite Em Paris" que eu comentei AQUI! Vejam o trailer:


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Let's Get Lost - Chet Baker

      Chet Baker foi um dos maiores músicos de jazz da história. Cantor e trompetista fenomenal, menos virtuoso e muito mais cool que boa parte dos jazzístas da época. Ele transbordava sensibilidade e musicalidade em sua obra. E esse documentário maravilhoso faz jus a seu imenso talento.        Todo em preto e branco, com belíssimas imagens, o filme é mais poético que documental. Ele traça toda a turbulenta história de Chet de forma não linear, não se preocupando de início em contar a vida dele, mas em seduzir o espectador com sua música e seu charme.        Os depoimentos são intercalados por cenas de Chet cercado de mulheres e admiradores (entre eles um Flea garotão), e a bordo de um Cadillac conversível, além de muitas imagens dele jovem. As partes mais duras do histórico do jazzista são deixadas para o final: suas prisões, o vício em heroína, o incidente que o fez perder vários dentes e o abandono da ex-mulher e seus quatro fi...

Stand By Me - Conta Comigo

      Esse filme tem um valor sentimental para mim. Na verdade, tanto o filme quanto a trilha sonora.        Foi a primeira vez que eu fui ao cinema sozinho. Adorei a experiência! Não só pelo filme, me apaixonei pela sala escura, pelo ritual do refrigerante, pipoca doce, trailers e esquecer do mundo lá fora por pelo menos uma hora e meia. Daí pra frente eu repetiria essa experiência em inúmeras tardes de sábado.      Muita gente já deve ter visto na TV, mas a história é bem simples: um grupo de amigos, formado por quatro garotos, fica sabendo do cadáver de um menino que foi achado na linha do trem, e resolvem fazer uma expedição até lá. Durante a aventura, os inseparáveis amigos se aproximam mais, cada um mostrando suas fraquezas e, nesse primeiro passo para o amadurecimento, percebem que sua amizade não durará mais que um verão.       Os garotos são ótimos! Todos continuaram atuando em séries de tv ou filmes menores, co...

Refresco

      Como falei numa outra postagem ( aqui ), tenho compulsão por discos, músicas. Minha não tão nova compulsão são os livros. Não resisto a uma promoção de R$ 9,90 sem comprar mais um!       Numa destas incursões aos livros promocionais, me deparei com este: Refresco. Confesso, c omprei esse mais pela capa do que pela sinopse.         O assunto é muito interessante: propaganda subliminar levada a extremos para o lançamento de um novo refrigerante.  A trama é bem envolvente, contada sob a ótica de 3 personagens. A cada capítulo muda-se o ponto de vista. A história é bem escrita e bem desenvolvida, mas achei o final muito abrupto.  O autor poderia finalizar melhor o livro, tudo fica muito a resolver.  Dá impressão que houve pressa ou falta de imaginação para se terminar bem a história.              Não vou contar o que acontece, mas algumas coisas ficam mal resolvidas. Senti que ao longo...