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Mostrando postagens de Junho, 2012

Citação - Bob Dylan

"Uma canção é como um sonho, e você tenta torná-la realidade. São como países estranhos nos quais você tem que entrar. Você pode escrever uma canção em qualquer lugar... estar em movimento ajuda. Às vezes, pessoas que possuem o maior talento para escrever canções jamais escrevem nenhuma porque não estão em movimento."
Bob Dylan - "Crônicas - Volume Um" 

Lusco Fusco - Robson Batt

O dia sutilmente me descobre, Oblíquo, estreito e dourado. Sob o ar preguiçoso e granulado, Desfaço-me dos sonhos entrelaçados. Meu olhar sinuoso se perde a minha volta. Ainda amarrada ao ontem, Minha vontade trêmula e covarde me segura. Detalhes intermitentes faíscam na minha mente. Quente, macio, salgado, delirante, extasiante...
Busco perfumes e toques entre os lençóis, Cúmplices e vorazes, Mas agora vastos e desertos. Faço meus lábios latejarem Num paladar metálico. Enquanto a penumbra transborda do meu peito, E o brilho se derrama de meus olhos, Um arroubo ofuscante ecoa sobre mim. Melodiosamente límpido eu ouço: - Bom dia!!!

Dois Coelhos - Afonso Poyart

Este longa-metragem me impressionou. Não esperava um resultado tão bem acabado quanto esse de um filme nacional. Digo isso sem o menor preconceito, sou formado em cinema e adoro a produção brasileira. Mas esta obra chega a ser um marco na história cinematográfica do país.

      Com cara de cinema hollywoodiano, desde a edição, efeitos, fotografia e trilha sonora, "Dois Coelhos" tem a trama não linear. Como um quebra-cabeça, várias peças vão surgindo no decorrer da história por meio de flashbacks, que vão ajudando a enxergar o todo: o plano de Edgar (Fernando Alves Pinto) para matar dois coelhos com uma caixa d'água só.        Edgar volta do exterior onde se refugiou para evitar ser preso por causar um grave acidente de automóvel. Para executar seu plano, ele envolve: dois bandidos, Bolinha e Velinha (Thaíde); o poderoso traficante Maicon (Marat Descartes);  o deputado corrupto Jader (Roberto Marchese) e sua esposa (Aldine Muller); a advogada pilantra Júlia (Alessa…

Caminho Sem Chão - Robson Batt

Sua ausência tornou-se um lento veneno, Corroendo meus pensamentos acintosamente. Então, lancei-me desesperadamente No faiscante nevoeiro da paixão. Inerte, implosivo e exuberante. Assustadoramente me consumi, Como uma luz felpuda e quebradiça...
Você não aceitou minha flamejante oferenda. Eu não perdoei sua inóspita recusa. Seu futuro me foi asperamente retirado, Enquanto nosso passado transbordava freneticamente. Assim fiquei, delirantemente congelado, Na rançosa e rascante solidão. Contando o tempo compacto e ensurdecedor, Percorrendo um caminho sem chão, Esperando que outro olhar febril, Incendeie meus passos novamente...

Citação - Bob Dylan

"Eu realmente jamais fui mais do que era - um cantor de folk que fitava a névoa cinzenta com os olhos cegos pelas lágrimas e fazia canções que flutuavam em uma neblina luminosa. Agora a névoa havia soprado para o meu rosto e pairava sobre mim. Eu não era um pregador realizando milagres."   Bob Dylan - "Crônicas - Volume Um"

Ayo - Joyful + Gravity At Last + Billie-Eve

Esta cantora alemã/nigeriana não é muito conhecida por aqui. Mas é um imenso talento já aclamado na Europa. Ouvi sua música pela primeira vez há alguns anos, quando baixei seu excelente álbum "Joyful", de 2006. Este inclusive, recebeu diversos discos de ouro e platina no velho continente.

      Na verdade é até difícil dizer qual de seus três discos é o melhor. Em todos ela imprime elegância e personalidade com sua bela e marcante voz. Passeando por diversas vertentes, suas canções flertam com o reggae, soul, blues, e até com o rock. 

      Mas o segundo, "Gravity At Last" (2008) é definitivamente o mais conciso, mesclando reggae e música africana. O terceiro trabalho lançado, "Billie-Eve" (2011), tem o nome de sua filha e é o mais pop entre eles.

      Destaque para as canções "Down On My Knees" do primeiro álbum, "Change" do segundo, e a contagiante "We've Got To" do terceiro. Além de uma ótima versão de "I …

Paixão Fóssil - Robson Batt

Seu olhar macio desceu sobre mim. Exato e urgente, devorou minha vontade. Tornou-me seu gentil prisioneiro. Sua presença embriagou meus dias e noites, Dissolvidos, infindáveis, instantâneos. Em nosso suor, elétrico e picante, Desenhamos sólidas promessas E sonhos transparentes. Nossos lábios teciam mundos, Pegajosos de ácido desejo. Nossas línguas e nossa pele se incandesciam, Estridentemente suaves. Por mais que nos saciássemos, Mais nossa sede fervia. A loucura febril nos rasgava e nos liquefazia. Enquanto o real era apenas o que nos gravitava. Até que minha fé e ideologia se moldaram a sua forma, E seu nome se tatuou na minha alma, Na minha mente, na minha história... Melodiosamente indelével. Paixão fóssil.