Pular para o conteúdo principal

No Sufoco

     Chuck Palahniuk é brilhante! Sua forma de abordar e desenvolver a história, a construção dos personagens e sua visão do mundo são únicos. Ele conseguiu criar um estilo tão próprio, que é até difícil de ser imitado. Juntando tramas inteligentes, muita informação, escatologia, suspense e um tanto de subversão, ele consegue sempre fugir da obviedade. O maior exemplo é o clássico moderno "Clube Da Luta".
      Nesta obra não é diferente. Partindo já do início, onde o protagonista aconselha o leitor a não ler o livro, percebe-se que o que vem a seguir não é nada comum. E não é mesmo. 


    Victor Mancini é um golpista, sexólatra e ex-estudante de medicina. Ao mesmo tempo em que ele aplica golpes, engasgando em restaurantes para pedir dinheiro, ele também trabalha num parque temático, imitação de uma vila colonial. Isso tudo para bancar a mãe esclerosada, que já não o reconhece, internada em uma clínica caríssima. 
      Em meio a reuniões dos Sexólatras Anônimos, em que ele mal tenta se tratar, acaba arrumando encontros sexuais, os mais diversos possíveis, e ainda dá em cima da médica de sua mãe. Mancini é um mau caráter de bom coração, mesmo que ele não admita isso. Ao longo do livro, por meio de vários flashbacks, é possível entender a dependência dele com a mãe, obcecada por teorias da conspiração. Destaque para o amigo engraçado e masturbador compulsivo que mora com ele: Denny.
     O livro é engraçadíssimo, muito perspicaz e divertido, mesmo nos momentos toscos - e são muitos! Foi adaptado para o cinema em 2006, mas ainda não vi. É uma das melhores obras do Palahniuk!

Chuck Palahniuk

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Herbert De Perto

O Herbert Vianna foi um dos meus grandes ídolos na adolescência. Ele era o cara! Usava óculos, tocava guitarra e cantava em uma das principais bandas de rock do Brasil, e ainda pegava a Paula Toller!        Ao longo do tempo, continuei muito fã dos Paralamas do Sucesso, e passei a admirar também seu trabalho solo e suas muitas parcerias, com artistas nacionais e estrangeiros. 

      Lembro do documentário "Paralamas em Close-Up", produzido pela HBO, que contava muito da história do grupo e um pouco do rock brasileiro. Muito bom! Quem quiser procurar, tem no Youtube em 13 partes.      Quando aconteceu o acidente com o Herbert eu não pude acompanhar direito. Eu estava trabalhando muito e não sobrava tempo pra nada. Só fui me lembrar dele quando o Paralamas lançou o disco "Brasil Afora" no início de 2009. Acabou que não escutei o álbum direito, mas voltei a ficar curioso sobre o Herbert e sua música.      No final de 2009 foi lançado esse documentário: "Herbert…

Janie Jones - A Caminho da Felicidade

Este longa-metragem foi lançado aqui no Brasil sem nenhuma divulgação, e acabou me despertando o interesse pelo contexto musical, mas tive uma imensa surpresa: o filme é muito bom! 

      Na trama, uma garota de 13 anos, Janie Jones (Abigail Breslin) é levada pela mãe, viciada em drogas, (Elisabeth Shue) para conhecer seu pai, Ethan Brand (Alessandro Nivola), um decadente band leader. Mas a mãe acaba sumindo, deixando a filha para o pai cuidar por um tempo, enquanto ela se livra do vício. Em meio à inaptidão de Ethan como pai e uma certa rejeição quanto à sua filha Janie, eles se aproximam, enquanto a banda dele acaba.

      Mesmo a história não sendo muito original, o filme conquista pelas ótimas interpretações e pela excelente trilha sonora alt-country da banda Clem Snide. A sintonia entre a dupla central, pai e filha, é vibrante, principalmente nos momentos em que a música fala mais alto, e percebe-se que o talento musical é hereditário.

     O diretor David M. Rosenthal sou…

Let's Get Lost - Chet Baker

Chet Baker foi um dos maiores músicos de jazz da história. Cantor e trompetista fenomenal, menos virtuoso e muito mais cool que boa parte dos jazzístas da época. Ele transbordava sensibilidade e musicalidade em sua obra. E esse documentário maravilhoso faz jus a seu imenso talento. 

      Todo em preto e branco, com belíssimas imagens, o filme é mais poético que documental. Ele traça toda a turbulenta história de Chet de forma não linear, não se preocupando de início em contar a vida dele, mas em seduzir o espectador com sua música e seu charme.        Os depoimentos são intercalados por cenas de Chet cercado de mulheres e admiradores (entre eles um Flea garotão), e a bordo de um Cadillac conversível, além de muitas imagens dele jovem. As partes mais duras do histórico do jazzista são deixadas para o final: suas prisões, o vício em heroína, o incidente que o fez perder vários dentes e o abandono da ex-mulher e seus quatro filhos. 
      Mas o diretor não busca levantar a verdade ou…