Pular para o conteúdo principal

Renato Russo - O Filho da Revolução

       Confesso que tinha grandes expectativas quanto a este livro. Sempre fui grande fã do Renato Russo e da Legião Urbana, e li todos os livros publicados sobre ele. Mas fiquei decepcionado com o encerramento deste livro.

       A pesquisa é primorosa, sobre o Renato, suas amizades, as bandas, Brasília e outras personalidades ligadas a cidade. Realmente, tudo muito bem descrito e documentado, com reproduções de letras inéditas e textos pessoais. 

       O ápice do livro é o último show da Legião em Brasília, em 1988, extremamente detalhado. E que por diversos motivos criou um badernaço na cidade, com repercussão nacional, levando a banda a não se apresentar mais por lá. 
       Em contrapartida a esse capítulo muito descritivo, e ao resto do livro, os 8 anos seguintes antes da morte do cantor e letrista da maior banda de rock do Brasil, passam a toque de caixa. 
       O autor se justifica no final do livro, que toda a pesquisa foi para tentar entender o que causou a confusão no fatídico show, e traçar a história do Renato Russo até os primeiros anos da Legião Urbana.
       No popular: explica, mas não justifica. Várias informações importantes sobre a vida dele são omitidas ou mal explicadas: o filho ilegítimo de Renato, o descobrimento da doença, o trabalho solo, os últimos discos da Legião e a consagração da banda e dele como poeta maior do rock nacional.
      Em vez disso, o autor prefere citar casos sobre sua dependência química e alcoólica entre outras situações, mostrando um retrato de artista decadente.
      Renato Russo e a Legião Urbana conquistaram uma legião (!) de fãs e até hoje têm uma das maiores vendagens por catálogo do mundo. 
     Faltou esse brilho no epílogo do livro. Correto, mas incompleto.


Carlos Marcelo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Herbert De Perto

O Herbert Vianna foi um dos meus grandes ídolos na adolescência. Ele era o cara! Usava óculos, tocava guitarra e cantava em uma das principais bandas de rock do Brasil, e ainda pegava a Paula Toller!        Ao longo do tempo, continuei muito fã dos Paralamas do Sucesso, e passei a admirar também seu trabalho solo e suas muitas parcerias, com artistas nacionais e estrangeiros. 

      Lembro do documentário "Paralamas em Close-Up", produzido pela HBO, que contava muito da história do grupo e um pouco do rock brasileiro. Muito bom! Quem quiser procurar, tem no Youtube em 13 partes.      Quando aconteceu o acidente com o Herbert eu não pude acompanhar direito. Eu estava trabalhando muito e não sobrava tempo pra nada. Só fui me lembrar dele quando o Paralamas lançou o disco "Brasil Afora" no início de 2009. Acabou que não escutei o álbum direito, mas voltei a ficar curioso sobre o Herbert e sua música.      No final de 2009 foi lançado esse documentário: "Herbert…

Janie Jones - A Caminho da Felicidade

Este longa-metragem foi lançado aqui no Brasil sem nenhuma divulgação, e acabou me despertando o interesse pelo contexto musical, mas tive uma imensa surpresa: o filme é muito bom! 

      Na trama, uma garota de 13 anos, Janie Jones (Abigail Breslin) é levada pela mãe, viciada em drogas, (Elisabeth Shue) para conhecer seu pai, Ethan Brand (Alessandro Nivola), um decadente band leader. Mas a mãe acaba sumindo, deixando a filha para o pai cuidar por um tempo, enquanto ela se livra do vício. Em meio à inaptidão de Ethan como pai e uma certa rejeição quanto à sua filha Janie, eles se aproximam, enquanto a banda dele acaba.

      Mesmo a história não sendo muito original, o filme conquista pelas ótimas interpretações e pela excelente trilha sonora alt-country da banda Clem Snide. A sintonia entre a dupla central, pai e filha, é vibrante, principalmente nos momentos em que a música fala mais alto, e percebe-se que o talento musical é hereditário.

     O diretor David M. Rosenthal sou…

Mallu Magalhães - Pitanga

Mallu Magalhães cresceu e amadureceu, e não apenas fisicamente como pode se perceber na foto. Sua música evoluiu bastante, com claras influências de seu namorado, Marcelo Camelo. E seu último disco, "Pitanga", é delicioso.

      Depois de surgir aos 15 anos como um novíssimo talento da música, e toda super-exposição que veio a seguir, Mallu lançou dois bons discos homônimos. Mas ambos álbuns são baseados em seu estilo voz e violão, com poucas variações, principalmente no segundo, onde ensaia algumas mudanças.

      Neste seu terceiro disco, "Pitanga", Mallu mostra todo seu potencial como cantora e compositora. Destaque para as deliciosas "Baby I'm Sure", "Velha e Louca" e "Sambinha Bom".       Seguem alguns clipes dessas músicas e um belo teaser do álbum "Pitanga" feito por Camelo, exaltando sua musa.